O silêncio do ministro Lewandowski diante da fuga no presídio federal

A ausência de pronunciamento do ministro da justiça, Ricardo Lewandowski, e a crise na segurança penitenciária

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O silêncio do ministro Lewandowski diante da fuga no presídio federal
Reprodução

Até as 18h30 desta quarta-feira, 14, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, permaneceu sem emitir declarações sobre o evento sem precedentes que marcou a história do sistema prisional federal brasileiro: a fuga de detentos da Penitenciária Federal de Mossoró, localizada no Rio Grande do Norte. A situação gerou expectativas por um pronunciamento oficial, considerando a gravidade do fato.

A Secretaria de Justiça sob sua liderança anunciou a instauração de um inquérito para investigar o ocorrido, um passo esperado diante da magnitude do evento. Paralelamente, André de Albuquerque Garcia, secretário nacional de Políticas Penais, deslocou-se ao estado nordestino para acompanhar de perto a crise emergente. No entanto, o silêncio de Lewandowski, em contraste com a urgência da situação, destaca-se negativamente.

Este episódio coloca em evidência a necessidade de comunicação por parte das autoridades políticas, especialmente em momentos de crise. Enquanto a eloquência desmedida pode ser prejudicial, a falta de comunicação em situações críticas como esta se mostra igualmente problemática. A responsabilidade de prestar contas é um dever inerente aos cargos políticos, diferenciando-se das obrigações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cujas manifestações devem se restringir aos autos processuais.

O ministro da Justiça, transitando entre o papel de ex-ministro do STF e sua atual posição, parece oscilar quanto à postura mais apropriada a adotar. Esta hesitação sugere uma desconexão com as expectativas inerentes ao seu cargo atual, alimentando especulações sobre um possível desconhecimento ou uma estratégia deliberada de omissão.

Os fugitivos, identificados como membros do Comando Vermelho do Acre, haviam sido recentemente transferidos para a instituição federal. Este fato levanta preocupações acerca da capacidade de grupos criminosos de infiltrarem-se em instalações de segurança máxima, questionando a eficácia das medidas de segurança adotadas.

A obrigação de Lewandowski em fornecer esclarecimentos é amplificada pelo contexto político, dado que o partido do presidente Lula, ao qual pertence, também governa o Rio Grande do Norte. A governadora Fátima Bezerra, embora não tenha jurisdição direta sobre a penitenciária federal, detém responsabilidades sobre a segurança na região circundante, notoriamente utilizada como rota para o tráfico internacional de entorpecentes.

A inabilidade das autoridades estaduais e federais em enfrentar a onda de criminalidade organizada que assola o estado é motivo de grande preocupação. Diante deste cenário, o silêncio de Lewandowski não apenas frustra as expectativas por liderança e transparência, mas também sinaliza uma lacuna significativa na gestão da crise atual.

O apelo é claro: não é momento para reticências. O Brasil aguarda respostas e ações concretas que possam restaurar a confiança na capacidade do governo de salvaguardar a ordem pública e a segurança nas instituições penais federais.